Traqueia e brônquios

DEFINIÇÃO E ANATOMIA

A traqueia é um órgão tubular, cilíndrico e cartilaginoso, localizado entre a laringe e os brônquios, que faz parte do sistema respiratório. Mede em torno de 12 cm a 15 cm de comprimento e tem cerca de 1,5 cm de diâmetro (nos adultos). São constituídas por cerca de 16 a 20 anéis cartilaginosos, em forma de “C” e unidos por tecido fibroso, denominados cartilagens traqueias. Inicia-se logo após a laringe, desce pela parte central e anterior do pescoço e termina atrás da parte superior do esterno, no tórax, na altura da quinta vértebra torácica. Bifurca-se e une-se aos dois brônquios em uma área denominada carina.

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QUAL A SUA FUNÇÃO ?

A parte interna da traqueia possui cílios e muco responsáveis por umedecer e purificar o ar antes de levá-lo aos pulmões, protegendo o organismo da entrada de poluentes e micro-organismos, como vírus e bactérias .Sua função é filtrar, umedecer e aquecer o ar para conduzi-lo aos pulmões.

 

DOENÇAS DA TRAQUEIA

Pode ser acometida tanto por doenças malignas (raras) quanto por doenças benignas (mais comumente).

As doenças que mais acometem a traqueia são as estenoses traqueias benignas, que são estreitamentos do anel traqueal oriundos na sua maioria, após sequela de intubação orotraqueal prolongada em paciente internado em ambiente de terapia intensiva. Causas traumáticas (natureza externa) também são reconhecidas como fatores de lesões traqueias direta. Doenças congênitas são mais raras.

Os tumores da traqueia (lesões malignas), embora raros, podem da mesma forma crescerem e provocar uma obstrução ao fluxo aéreo impedindo a passagem de ar e levando à morte por asfixia, ou então a traqueia pode ser comprimida externamente por estruturas vizinhas torácicas levando ao mesmo quadro de insuficiência respiratória por obstrução (a exemplo do bócio tireoidiano e câncer esofágico).

 

SINTOMAS MAIS COMUMENTE OBSERVADOS

  • Dificuldade e esforço para respirar
  • Cansaço frequente e fôlego curto
  • Ruídos e chiados no pescoço e peito
  • Rouquidão ou alteração da voz
  • Tosse seca /metálica (estenose)
  • Tosse purulenta (infecção)

 

DIAGNÓSTICO

Muitas vezes diante desses sintomas, os médicos suspeitam de outras doenças mais comuns, como a asma e a bronquite. Porem, quando o mesmo torna-se persistente e sem fator de melhora, o melhor procedimento e exame a ser feito para diagnosticar patologias traqueias são a endoscopia respiratória (laringotraqueobroncoscopia) e a tomografia computadorizada de tórax com reconstrução traqueal.

A não identificação da doença obstrutiva pode levar a sequelas pulmonares, e quando não tratada, à morte por asfixia.

 

TRATAMENTO

São variaríeis – podendo ser desde tratamento medicamentoso com antibióticos e corticoides até tratamento cirúrgico com ressecções de segmentos traqueias doentes e colocação de “stents” – a depender do padrão da lesão, da sua extensão e posição na traqueia e principalmente das condições clinicas do paciente.

 

 

TRAQUEOSTOMIA

Consiste em realizar uma abertura na traqueia em sua porção anterior, situada no pescoço, seguido da introdução de uma cânula para auxiliar a respiração permitindo que o ar possa entrar nos pulmões e garantir a oxigenação. Os motivos para a realização de uma traqueostomia são vários, na grande maioria das vezes, é utilizada nos pacientes que estão durante muito tempo na UTI, sendo ventilados por ajuda de aparelhos através de um tubo orotraqueal ou naqueles com patologias obstrutivas conforme mencionado.

 

INDICAÇÕES:

A TRAQUEOSTOMIA PODE SER DEFINITIVA OU TEMPORÁRIA, DEPENDENDO DE SUA INDICAÇÃO. GERALMENTE É INDICADO NOS CASOS DE OBSTRUÇÃO OU RECONSTRUÇÃO DE VIAS AÉREAS.

 

CUIDADOS: 

– MANTER CABECEIRA ELEVADA (30-45 GRAUS).

– ANTES DE MANIPULAR A TRAQUEOSTOMIA LAVAR BEM AS MÃOS.

– DURANTE O BANHO PROTEGER PARA EVITAR A ENTRADA DE ÁGUA PELO ORIFÍCIO.

– LAVAR A SUBCÂNULA (CÂNULA INTERNA) SEMPRE QUE NECESSÁRIO, COM ÁGUA E SABÃO NEUTRO. SECAR COM GAZE PARA NÃO OBSTRUIR.

– REALIZAR CURATIVO LIMPANDO AO REDOR DA TRAQUEOSTOMIA (OSTEO) COM SORO FISIOLÓGICO E GAZE.

– COLOCAR A GAZE NA BORDA E TROCAR SEMPRE QUE NECESSÁRIO.

– FIXAR A CÂNULA PELAS LATERAIS SOB O PESCOÇO COM CARDAÇO, DE FORMA QUE FIQUE FIRME, PORÉM NÃO APERTADO.

– TROCAR A FIXAÇÃO DA CÂNULA SEMPRE QUE NECESSÁRIO.

– EVITAR O ACÚMULO DE SECREÇÃO, MANTENDO A CÂNULA DE TRAQUEOSTOMIA LIMPA.

– FICAR ATENTO À NECESSIDADE DE ASPIRAÇÃO (PRESTAR ATENÇÃO SE O SOM DA RESPIRAÇÃO SE MODIFICA).

– MANTER UMIDIFICAÇÃO DE TRAQUEOSTOMIA (COM UMIDIFICADOR E/OU NEBULIZADORES) CONFORME ORIENTAÇÃO MÉDICA.

– SENTAR O PACIENTE AO SER ALIMENTADO (SÓLIDOS E/OU LÍQUIDOS).

– INCENTIVAR O PACIENTE TRAQUEOSTOMIZADO PARA QUE RETORNE O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL SUAS ATIVIDADES DIÁRIAS, INCLUSIVE SAIR EM PÚBLICO

 

OBSTRUÇÃO DA TRAQUEOSTOMIA:

A OBSTRUÇÃO DA TRAQUEOSTOMIA IMPEDE A PASSAGEM ADEQUADA DE AR PARA OS PULMÕES. DENTRE AS CONSEQUÊNCIAS DA OBSTRUÇÃO PODE-SE ENCONTRAR:

– FALTA DE AR E/OU CANSAÇO

– RESPIRAÇÃO RUIDOSA (BARULHENTA) E/OU COM ESFORÇO.

– ENGASGOS FREQUENTES E/OU ACESSOS DE TOSSE.

– PALIDEZ OU CIANOSE (PELE AZULADA)

 

O QUE FAZER?

– ENTRAR EM CONTATO COM SEU MÉDICO ASSISTENTE.

– ELEVAR A CABECEIRA DE 30 A 45 GRAUS.

– LIMPAR A CÂNULA DE TRAQUEOSTOMIA E AVALIAR A NECESSIDADE DE ASPIRAÇÃO.

– CASO OCORRA A SAÍDA DE ALIMENTOS PELA TRAQUEOSTOMIA E/OU POR MEIO DE ASPIRAÇÃO TRAQUEAL, INTERROMPER A ALIMENTAÇÃO IMEDIATAMENTE (ORAL OU POR MEIO DE SONDAS).

– CASO O PACIENTE NÃO MELHORE, INFORMAR AO MÉDICO ASSISTENTE E PROCURAR IMEDIATAMENTE A EMERGÊNCIA DO HOSPITAL.

 

ATENÇÃO : Observar durante as trocas de curativos a presença de vermelhidão ou lesão. No caso destes sinais e na presença de sangramento ou dificuldade em respirar comunicar ao médico assistente imediatamente.